Amar (também) é deixar partir...



Cada um tem seu tempo e seu espaço. Até então eu dediquei todo tempo à você, e, cada espaço que ousei encostar meu pé, nos cabia perfeitamente. Não temos a mesma métrica. A vida é feita de prioridades, infelizmente o seu espaço não me cabe, e a merda do seu tempo é pouco para nós. A vida tem dessas, pequenas quantidades se tornam fatores extremos quando o assunto é relacionamento.

A noite chega e eu apago a luz, seus olhos ainda aparecem na escuridão. Para alguns, terminamos. Para a maioria, isso é uma fase que passará. Ninguém acredita que nos deixamos. Nos largamos. Tem quem fale que nós dois nos entregamos às dificuldades e esquecemos do nosso sentimento. Ninguém acredita, muito menos eu.

Quando você me manda mensagens após encher a cara de bebida, o conforto vem. Bêbados são sinceros. Você nunca precisou beber pra dizer que me ama, mas, as mensagens e ligações regadas de teor alcoólico na madrugada me fazem sentir melhor, o que é um perigo. Saber que ainda me ama pode até confortar, mas também traz aquela expectativa que venho tentado matar aos poucos.

Outro dia encontrei sua mãe na rua, ela me alugou por alguns minutos questionando o real motivo do nosso fim. Eu dei nela um banho de sinceridade, com os olhos cheios de lágrimas, disse que você tinha outras prioridades. Ela, cheia de compaixão, afirmou que isso era questão tempo e logo estaríamos juntos novamente.

Por mais que a dor ainda permaneça constante, não penso em voltar. E não quero você volte. Quando as prioridades mudam, ninguém sabe o real valor de si na relação. Todos os dois se perdem. As coisas vão se embolando até desencadear em finais trágicos. Fomos maduros em reconhecer e determinar a linha final. Embora não satisfeito, não quis insistir. Afinal, você não foi e nunca vai ser minha propriedade.

Hoje entendo que não é obrigação de ninguém desdobrar o tempo ou fazer com que eu caiba nos espaços. Se não for naturalmente, não é pra ser. Ninguém é feliz se relacionando e contentando com pouco. O transbordo é necessário e quando chega a escassez, é a hora do adeus.

Pode ficar tranquilo, a dor hoje já é menor que ontem. Não duvide do que senti ou do que ainda sinto. Eu não duvido de você. E se um dia quiser voltar, passe por aqui. Ver a felicidade estampada no seu olhar vai me fazer lembrar de como foi importante deixar você conhecer outras dimensões. Acabei entendendo da pior forma que, quem ama abre as portas e deixa ir. Amar não é pronome possessivo.

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