Precisamos falar sobre 2016


Não acredito que vou me despedir dessa novela. Manoel Carlos ovaciona esse ano de pé. E não é para menos, o prêmio de melhor roteiro alternativo deve ser entregue à 2016. Entre risadas extensas e lágrimas pesadas, a alteração de humor foi marco de um ano que entregou felicidades e grandes desgraças. Mania a nossa, né? De achar que as desgraças não acontecem. Elas acontecem sim e em 2016, aconteceram em demasia. Serviram para entendermos que o mundo gira sem dar muita importância ao individualismo que criamos. Não existe mais o termo "para o mundo que eu quero descer". 2016 provou que o mundo diz: "vamos balançar, quem não aguentar que desça sozinho". Difícil, né?

Ano de amores, emoções, grandes mudanças e aceitações. Tivemos que aprender ao pé da letra como as coisas podem mudar da água para o vinho em instantes. Ano que Leonardo DiCaprio ganhou Oscar de um filme que não é Titanic (??). Ano que a Thassia Naves não vestiu o mais fashion do momento, pois, o mais fashion atualmente é vestir a camisa da militância pós moderna. Ano em que a população brasileira perdeu grandes acontecimentos políticos pois as nossas grandes mídias decidiram ilustrar e fantasiar a desgraça de Camila Pitanga e Domingos Montagner.

Eu, particularmente, me orgulho de ter vivido em um ano tão atípico. Um ano em que as garras afiadas foram atenuadas com a política. As pessoas decidiram falar o que queriam, saíram de sua zona de conforto. De repente, começaram a soltar argumentos monstruosos para defesa ou justificativa de posicionamento político. Alguns gritaram um coro de Fora Temer. Aliás, 2016 sempre será sinônimo de Fora Temer. Tiveram aqueles que gritaram Fora Dilma, um povo ignorante que ajudou a emergir movimentos que serão eternizados e entendidos como a grande revolta dos que deram ódio gratuito à primeira presidente mulher.

Mesmo sendo palco de um processo de impeachment misógino, 2016 foi também o ano da mulher. O ano das grandes campeãs, de Gisele desfilando na abertura das Olimpíadas, do grande discurso de Dilma, de Marta continuar como a melhor do mundo e ser reconhecida pelo seu país mesmo não sendo campeã, das cantoras de funk tomarem conta do cenário musical, de Rafaela Silva ganhando seu ouro e de Fernanda Gentil revelando a sua sexualidade de uma forma louvável.

Para os ouvidos a coisa até que foi positiva, né? Beyoncé consagrou sua música. Britney Spears ressuscitou. Ariana Grande mostrou que veio para ficar. O funk invadiu todos os cantos do Brasil e Mc Carol deu seu grito de resistência. The Weeknd que mostrou além de sua beleza, eficiência e talento. Anitta se consagrou como uma artista plural mas que jamais vai esquecer de rebolar a bunda diariamente. Carol Conka mostrando o DNA de seu sangue em seus ritmos, invadiu as baladas mais caras. Justin Bieber cresceu como artista e requer muito respeito. Perdemos David Bowie e ganhamos Joanne. Bruno Mars mais uma vez surpreendeu. Vimos o 5Harmony crescer aos poucos e se tornar febre mundial, gritamos fora Temer mas quem saiu na verdade foi Camila Cabello. Sia, o pássaro raro compositor, provou que sabe fazer sucesso além de sustentar artistas mainstream. 2016 teve boas melodias, cada uma em seu devido seguimento, todas de boa qualidade.

Religião, política, moda e polêmicas. Bebidas baratas, dança e beijos. Ótimas histórias e músicas. Sorrisos e choros. Tragédias e grandes descobertas. É meus queridos, esse ano foi o ano da audiência. Dentro do orçamento de cada um, não precisou de muito elenco, nem de muita produção.

Tive um ano bagunçado, assim como esse texto, mas não vou ficar me mordendo por mais um que se vai. Pois outros virão. O roteiro foi perfeito para entender que nem sempre a obra mais elaborada sai do jeito que esperamos. Surpreendeu. Arrancou suspiros. Por enquanto não espero muito de 2017. Só uma barriga chapadíssima e um Victoria's Secret Fashion Show melhor que o de 2014. E você?

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